sábado 21 de outubro



26 DE JANEIRO DE 2012 VOLTAR PARA LISTA DE ENTREVISTAS

Fugu - Histórias de amor e sexo

 

    
 
 
Fugu: "O que envenena o amor de um casal alimenta outro".
                          
 
Márcio Vassallo
 
 
 
Será que aqui vou conversar mais com a autora, ou com a personagem de Duas bocas - histórias de comida e sexo? Sem querer te induzir, tomara que seja com as duas, viu?
Fugu – Sim, você vai conversar com as duas – a autora e a personagem, até mesmo porque inventei uma brincadeira que ainda não consigo manejar direito. Acabei criando uma personagem que é a autora do livro. 
 
O que motivou essa sua decisão de usar um pseudônimo?
Fugu - Acho que qualquer autor só existe no seu texto. Fora dali, ele é professor, revisor, tradutor, bailarino, publicitário, monge, secretário de segurança, enfim. Não importa. Ou pelo menos não deveria importar. Mas respondendo diretamente a sua pergunta, e correndo o risco de ser meio pedante, eu diria que minhas ne cessidades expressivas não cabem em uma pessoa só... Tenho vontade de experimentar, o que é difícil quando a gente fica presa a um nome. Além disso, com o pseudônimo, achei que a Fugu adquiria uma existência holográfica interessante.
 
Se não usasse pseudônimo, você acha que escreveria assim, tão descalça, tão despida, tão despudorada e livre?
Fugu - Acho que sim. Sempre procurei estar descalça, despida, despudorada e livre ao escrever – e que linda a imagem que você criou. Mas, além disso, o Duas Bocas começou como uma experiência blogueira, um ambiente onde o uso de pseudônimos é regra e não exceção. Não sei como ser ia se eu tivesse começado com meu próprio nome. O que sei é que, quando me dei conta, a narradora era uma personagem tão palpável que já  era quase um heterônimo.
 
O que foi mais sedutor e louco nessa experiência?
Fugu - Foi escrever um texto erótico papai e mamãe. Desde o começo, eu queria falar de um erotismo doméstico, íntimo. Aquele tipo de erotismo que pode fazer parte da nossa vida. Sem chicotinho, sem masmorras. Sabia que os fetichistas chamam pessoas que praticam esse tipo de erotismo de " baunilhas"? Era para ser um sinônimo de careta, mas sempre achei delicioso.
 
Você gosta de baunilha?
Adoro baunilha! Quando leio os mestres do erotismo, acho que sou muito abusada por fazer um livro erótico tão... comum.
 
Mas nem tudo o que é comum é banal. Acho que o seu livro (publicado pela Nova Fronteira) fala de coisas comuns de uma forma bem incomum. Então, formas à parte, ou incluídas, foi a sua personagem que puxou a ideia do romance, ou foi a ideia do romance que puxou a personagem?
Fugu - Os dois surgiram ao mesmo tempo. O nome Fugu sempre foi associado a um tipo de comida erotizada, cheia de significados e mistérios.
 
Você termina todo capítulo com uma receita de comida. Curiosidade abestalhada: já experimentou todas elas, ou ainda está esperando pelo momento certo para isso?
Fugu - Adoro cozinhar. As receitas do livro são as mesmas que preparo para receber amigos, para me confortar quando sinto saudades ou para oferecer ao amado. Nenhuma delas é complicada, você notou? Minha musa, Isabel Allende, em Afrodite, dizia que nenhuma comida pode ser afrodisíaca se você passar tempo demais na cozinha.
 
Como é que a Fugu nasceu dentro de você? Como é que você nasceu dentro da Fugu? Será que em Duas bocas você e ela se misturam o tempo todo?
Fugu - Não acredito em personagem completamente independente do autor. Madame Bovary somos todos nós que vivemos da escrita. Fugu é resultado de uma combinação comum - de sexo com comida - com um terceiro elemento, menos usual, que é a meditação. Eu não conseguiria escrever esse livr o se nunca tivesse meditado, ou se nunca tivesse me apaixonado doidamente.
 
Apaixonada doidamente, você diz que apelidou seu amante de Fugu, um peixe com veneno letal que, preparado na medida certa, nas mãos de cozinheiros talentosos e experientes, pode ser transformado numa iguaria irresistível. “Lidar com fugus é uma experiência sensorial única, tanto para quem os prepara – e adquire um poder quase divino sobre a vida e morte de seu convidado – quanto para quem os come – e confia ao cozinheiro a dosagem exata que separa o êxtase do envenenamento. Preparar fugu é prova de sabedoria. Comer fugu é prova de confiança. Por isso, tempos mais tarde, ele também passou a me chamar Fugu. Havíamos nos tornado, cada qual, ao mesmo tempo, coz inheiro e comensal, sacerdote e oferenda, veneno e remédio”. O que mais alimenta e o que mais envenena um amor?
Fugu - Ninguém tem resposta para isso. O que envenena o amor de um casal alimenta outro.
 
No livro, você conta: “Estamos prestes a completar inqüenta anos – no mar onde vivem fugus não se criam iniciantes. Diante de nós, uma descoberta extraordinária: um corpo maduro e novo, dotado de sentidos complexos, com mais tesão, mais olfato, mais tato e mais paladar. Foi inevitável que fizéssemos da alcova um lugar de experimentação sensorial. Ali, slow food encontrou-se com slow sex, e comfort food com comfort sex. Da mistura nasce u este livro, feito com nossas comidas preferidas de alcova e de espera: os dois tempos nos quais se divide a vida dos amantes”. O que é essencial para um encontro amoroso dar certo?
Fugu - Aquela coisa que ninguém até hoje conseguiu definir, e que a gente chama de química. Mas no caso dos Fugus, além de uma química poderosa, há o fator tempo. Sempre fiquei perplexa com as histórias narradas por pessoas maduras que recordam seu passado libertino. Nessas histórias, a sabedoria é uma espécie de prêmio de consolação pelo fim da vida erótica. Então, quis escrever uma história na qual a sabedoria trazida pelo tempo fosse usada a favor dos amantes. Os Fugus são sábios, são maduros e são loucos de paixão.
 
O escritor italiano Alberto Moravia já disse uma vez: “Antigamente as pessoas se comunicavam para fazer sexo. Hoje em dia, as pessoas fazem sexo para se comunicar”. Você também vê o sexo como uma irresistível forma de comunicação?  Há algo que só o sexo pode nos comunicar?
Fugu - Não só o sexo. Cada vez mais, acredito que a gente se comunica mais por sinais quase imperceptíveis do que por palavras. E o sexo não tem nada de imperceptível. Ele permite uma frequência de comunicação que combina tato, olfato, paladar, visão, audição, tudo ao mesmo tempo. O sexo apaixonado é uma das experiências humanas mais completas que existem. Não é à toa que os tântricos o usam como portal para se harmonizarem com o universo, para meditar sobre a existência.
 
Assim você começa o romance: “Uma vez o médico me proibiu de comer sal (...). Nos primeiros dias, minha língua se agitava meio enlouquecida dentro da boca. Procurava o sabor proibido. Dava vontade de lamber tudo que via pela frente, de procurar, garimpar, conseguir. Onde, no mundo, haveria sal?” Em que cenas do dia a dia você mais costuma encontrar sal, Fugu?
Fugu - Essa história do sal é séria. Depois de uma semana de dieta, a sensibilidade realmente se amplia para perceber o sal onde antes não percebia. Você ficaria surpreso se eu dissesse que nosso pão francês é muito salgado.  Mas é. Esse estado de alerta que a pr ivação nos traz é muito interessante. Acho que todo mundo deveria experimentar ficar de dieta de vez em quando – menos para emagrecer e mais para aguçar os sentidos. De qualquer modo, quando colocamos todos os tentáculos da nossa percepção em jogo, por privação ou por paixão, nos tornamos capazes de grande sensibilidade.
 
Uma sensível constatação sua: “Depois de algum tempo eu já conseguia capturar o sabor desejado num pedaço de pão, num biscoito, num dente de alho ou num peixe do mar. Era um aprendizado: o do reconhecimento. Aprender a detectar o que se deseja não porque aquilo existe em abundância, mas porque existe – e sou capaz de aguçar os sentidos até percebê-lo (...). A interdição me revelou a natureza oculta dos sabores mínimos”. De que forma o amor e a paixão mais te aguçam os sentidos?
Fugu - A paixão faz dispararem mecanismos tão complexos no nosso organismo, faz uma bagunça tamanha na química do nosso juízo, no nosso sistema simbólico, que a realidade fica suspensa. É o melhor exemplo de como convocamos todos os sentidos para concentrar uma experiência. Os apaixonados são seres drogados de felicidade e de medo e eu não sou exceção.
 
Num trecho do livro, você revela: “Quando acabou o sal de meu casamento, coisa semelhante aconteceu. No entanto, ao contrário da dieta médica, o sal foi tirado da vida conjugal tão aos poucos que mal percebi”. E, na história, você acabou encontrando esse sal no seu amante. Na sua opinião, o que tira aos poucos o sal de um relacionamento?
Fugu - O tédio. Na hora em que você não tem mais vontade de conversar com o outro, de rir junto, até mesmo de brigar um pouquinho, o relacionamento está morto.
 
Você acha que todo relacionamento amoroso está fadado à perda de sal, ou há relacionamentos maduros em que o sal é na medida certa, sem precisar de receita para isso?
Fugu - Existem relacionamentos maduros lindos, conheço alguns. Geralmente, tem uma parte que é mais apaixonada e outra que se deixa amar, se bem que ao longo do tempo essas posições troquem muitas vezes. Então, talvez o segredo seja essa alternância.
 
 
 
Por sua vez, tem relacionamento que salga demais?
Fugu -Tem, quando falta liberdade. Acho que liberdade é feito aquele vestido de festa, que você nem usa tanto assim, mas gosta de saber que está no armário à sua disposição. Isso não existe em relacionamentos canibais – onde as pessoas se devoram até os ossos. Na literatura, pode ser muito interessante. Na vida, esses relacionamentos são perniciosos. Manda a prudência que a gente deixe um bom espaço livre para cada um dos amantes.
 
Observação sua: “À mesa, a entrada é uma crueldade requintada. Finge que alimenta enquanto só atiça a fome. Acorda a boca, prepara os dentes, arrepia as papilas”. À mesa, ou na cama, tem segredo para preparar crueldades requintadas?
Fugu - Segredo sim, receita não.
 
Outro reparo seu: “A fruta é, ao mesmo tempo, proteção e chamariz. O processo todo é tão feminino que, embora os cientistas chamem essas estruturas botânicas de frutos, a linguagem popular as denomina frutas”. Para mim, a fruta que mais me dá água na boca de todas tem nome masculino: jambo. Acho que vou passar a chamá-la de jamba, o que você acha? Qual a fruta que faz mais chamariz para você?
Fugu - Eu adoro frutas. O que me faz mais chamariz é o jeito camaleão delas. Uma mexerica pode ser sublime ou horrorosa dependendo da época do ano, do jeito como amadureceu, do modo como foi colhida. Você pode adorar jambo (ou jamba) mas nunca sabe muito bem o que esperar dele. A fruta é sempre imprevisível.
 
Você de novo: “O que será que há em rendas e tules que tanto atrai os amantes? Será só a brincadeira de esconde-esconde da pele? Ou o desejo de tornar-se inteira transparente, de ultrapassar a carne até que a alma fique exposta?” Mas não é todo mundo que sabe usar rendas e tules, concorda? Às vezes, para se esconder e se mostrar ao mesmo tempo, será que a mulher tem que ultrapassar a alma até que a carne fique oculta e exposta, na medida da essência de cada uma?
Fugu -Não só a mulher. O jogo amoroso é todo feito daquilo que se oculta ou revela, em que momento, de qual maneira.
 
Nova tese sua: “Cetonas são usadas para fabricar seda, para extrair óleos, e, embora qualquer estudante de química possa desmentir minha hipótese delirante, tenho certeza de que a pequena quantidade de cetonas presente em nosso organismo é capaz de transformar lábios em seda e saliva em óleo com propriedades alucinógenas”. Você é muito doida, com suas hipóteses delirantes, Fugu. Mas o pior é que agora eu acredito nesse delírio. Isso deveria ser ensinado nas escolas. Todos os adolescentes passariam a amar ter que estudar química, e em vez de dever de casa, fariam prazer de casa, que tal?
Fugu - Eu juro que é verdade. Os beijos dos amados são alucinógenos. O cheiro, sabor e viscosidade deles varia ao longo do dia, ao longo da ação amorosa, por assim dizer. E em momentos especiais têm cheiro de acetona sim. Embriagam como uma prise de lança-perfume.
 
Você escreve no livro que “assim que é recebido pela língua, o suflê desaparece e deixa um rastro de sabor em seu lugar. É mais sedução do que compromisso. Mais como informação do que comida. Por isso mesmo, é capaz de embriagar os sentidos. Volátil como o álcool, desorienta a expectativa da boca. Ri de sua vontade de mastigar e some no palato, deixando em seu lugar uma lembrança persistente de doçura”. Que coisas mais deixam em você essa lembrança persistente de doçura no palato, no pensamento?
Fugu -Sei que vai soar meio piegas, mas o amor fica gravado em mim. Acho que é o único tema realmente importante na minha existência. Seja o amor pelo amante, pelos filhos, pelo próximo ou pelo distante. Todo o resto é acessório.
 
Mais um lúcido delírio seu: “Só o que subverte o planejamento tátil da natureza é o beijo (...). É um intruso desejado. Não era para estar ali. Sua presença desorganiza, grita bem alto que é possível tornar tudo melhor, muito melhor, desde que estejamos dispostos a resgatar alegrias abandonadas pelo meio do caminho. Como quando ainda não tínhamos dentes e achávamos que o objeto do nosso desejo era comestível. Mais do que devolver o tato à boca, o beijo o faz reviver como sentido primeiro”. Além de beijar com entrega e se entregar beijando, o que você recomenda para quem carece resgatar alegrias abandonadas? E quem será que não carece disso?
Fugu -Nem sei se é o caso de resgatar alegrias abandonadas ou de cuidar bem daquelas que se apresentam. Mas essa brincadeira, quando feita a dois, exige um ingrediente fundamental que é a confiança. Você tem que ter certeza de que o outro não vai machucar voc ê – e não me refiro só à parte física, que é óbvia. Mas tem que saber que o outro não vai rir de você, nem usar suas confissões como armas. Que não vai usar suas próprias palavras contra você na primeira briga. Enfim, acho que existe uma ética amorosa e sem ela toda entrega fica imperfeita.
 
Mais um trecho do livro: “O vinho é a bebida dos amantes porque sugere descobertas, um namoro sensorial que nos leva a sempre renovados prazeres. Quase meditação. Fechar o foco no presente. Descobrir a vitalidade do momento. Mas nem por isso os licores deixam de ter seu lugar. Eles são fortes. Provocam um incêndio na boca. Nada a ver com um beijo. O licor é o susto dos sentidos, a surpresa, a declaração de amor inesperada, um euteamo à beira do orgasmo”. Que outros sustos você gosta de dar nos seus sentidos?
Fugu - São tantos. Uma gota de limão; umas pedrinhas de gelo jogadas numa banheira quente; um perfume inusitado. Outro dia, tomei um vinho branco e os primeiros aromas que ele liberou eram parecidos com fluido de isqueiro. E era bom! O susto é a surpresa um tom acima, não é?
 
Gostei um bocado dessa sua frase. Acho que o seu livro é uma boa surpresa um tom acima, Fugu. Mais um trecho do romance: “Às vezes me pergunto por que as pessoas não conseguem fazer sexo como quem toma vinho. Por que não desfrutar o corpo do amante com a mesma sede de prazer? Por que não observar suas nuances de aroma, de sabor, de textura?” Na sua opinião, o que mais costuma fazer com que um casal não se desfrute tão bem, reparando um no outro suas nuances de aroma, de sabor, de textura?  
Fugu - Você vai rir, mas uma das minhas inspirações para compor os Fugus foi o amor incondicional dos cachorros – e o poderoso olfato deles, é claro. Tem um poema do Eugenio de Andrade que fala de um homem que chega à praia e vê uma pessoa muito bela. Diz o poema: “Soltei os olhos sobre aquele corpo / meu coração latindo de felicidade.” Pode ser que o verso seja ligeiramente diferente porque estou com preguiça de procurar o livro na estante e cito de memória. Cachorros não economizam afeto, têm um despudor delicioso nas su as demonstrações amorosas. Se existir espaço, eles ocupam. Talvez o que atrapalhe os casais seja a ideia de que existe alguma coisa mais importante a fazer ou a pensar naquele momento em vez de simplesmente abanarem o rabo e latirem de felicidade uns para os outros.
 
Sugestão sua para casais latirem de felicidade: “Indispensáveis para os amantes de delícias prolongadas, as pausas sensoriais jamais se confundem com o sono ou o tédio. Apenas deslocam, por instantes, a atenção dos sentidos para outra área do prazer. Nos rituais amorosos, pode ser uma banheira de água morna, uma caipirinha forte, uma refeição ligeira, um chocolate amolecido pelo calor dos dedos, um diálogo enamorado. Ou tudo isso junto. Ou qualquer gesto que nos leve a ultrapassar o limite da necessidade e entrar nos sagrados domínios do desejo”. Tem arte para entrar nesses sagrados domínios do desejo? Saber sair dessas pausas, da forma certa, no momento certo , também é um dom, um exercício, um aprendizado?
Fugu -Se existe uma arte é a de se desligar da ideia de começo, meio e fim – o que geralmente apavora os homens, mas é muito razoável para as mulheres.
 
Mais um trecho do livro: “Na hora em que percebemos que fantasias não precisam, necessariamente, ser colocadas em prática, ganhamos uma incrível liberdade para sonhar a dois”. Você acha que, numa relação amorosa, muita gente não se entrega à fantasia pelo medo de que tudo sempre tenha que se transformar em realidade?
Fugu - Ah, sim. Nesse ponto, temos a grande vantagem de sermos escritores. Estamos acostumados a brincar com histórias, a fazer de conta de que coisas impossíveis são perfeitamente factíveis. O caso do hentai, que eu cito no livro, é bem isso. A ideia é muito excitante: cair num poço sem fundo cujas paredes são repletas de tentáculos e ventosas. Mas, se isso existisse mesmo, pode ter certeza de que eu ficaria bem longe dali (risos). 
 
Você de novo: “Muitas vezes sonhos murcham em contato com o real”. Muitas vezes o que o real tem de mais murchante?
Fugu - Acho que todo mundo tem uma história de sonho que se mostrou entediante, constrangedor ou insuficiente na realidade.
 
Por outro lado, para você, em que momentos o real é mais excitante do que a fantasia?
Fugu - No desejo do outro, que nunca é levado em conta nas fantasias. É sempre o outro que nos surpreende e que nos joga na ação.
 
Pensamento seu: “Nenhum presente é mais precioso do que uma ilusão. Para que cresça na boca e na memória, precisa ser leve, aerada, com lacunas a serem preenchidas pela fantasia”. Quais as suas ilusões favoritas?
Fugu - Todas as que levam o adjetivo eterno: vida eterna, amor eterno, felicidade eterna. Acho que todo escritor sofre de um aflitivo desejo de permanência.
 
Tem muita gente que busca afrodisíacos só para um jantar tão esperado, ou para seduzir alguém que deseja, seja onde for. Mas muita gente também se esquece de que, cama à parte, ou incluída, é preciso que as pequenas cenas do dia a dia também sejam afrodisíacas, em todos os aspectos, para que a beleza esteja sempre disponível, para que o simples seja sublime, não acha? Delirei demais? Acima de tudo, o que torna uma vida mais afrodisíaca que brusqueta com manjericão fresco?
Fugu – Isso não foi exatamente uma pergunta, mas o pedido de corroboração a uma tese. Pois eu acho que você está certíssimo. Sedução é projeto para o cotidiano, para a vida inteira. Mas também é bom lembrar que seduzir o tempo todo acaba tirando a naturalidade do namoro - que também inclui dias de cansaço, tristeza ou dedicação a outros aspectos da vida. O afrodisíaco permanente perde rapidamente seu efeito. 
 
Para conhecer mais a Fugu, leia o livro dela, claro, e entre no blog da autora que em breve estará no ar.

 



  • 12 DE MARÇO DE 2015
  • 22 DE AGOSTO DE 2012

    Na estrada com Dodô Azevedo

    Autor lança Fé na estrada, pela Casa da Palavra, fala sobre a importância do olhar em nosso cotidiano e analisa o desafio de mostrar as tripas por meio da arte. "A estrada te tira qualquer traço de arrogância, e isso é o que ela tem de mais irresistível".

  • 07 DE AGOSTO DE 2012

    Sylvia Orthof para sempre

    Autora diz que Cinderela se casou por dinheiro e revela qual é o grande encanto dos sapos

  • 12 DE JULHO DE 2012

    ONDJAKI

    Com poesia e sensibilidade de iluminar sentimentos, o angolano Ondjaki entra nas texturas da infância e fala sobre o seu novo livro.

  • 26 DE JANEIRO DE 2012

    Fugu - Histórias de amor e sexo

    Em Duas bocas, romance erótico publicado pela Nova Fronteira, Fugu conta a história de um casal apaixonado por receitas afrodisíacas. Leia aqui nossa entrevista com ela.

  • 27 DE OUTUBRO DE 2011

    Adriana Lisboa - Com leveza e profundidade

    Recém chegada do Festival de Literatura de Buenos Aires – FILBA, Adriana Lisboa fala sobre seus belos livros, comenta a arte da simplicidade para emocionar leitores e revela o que é, para ela, um dia cheio de poesia.


Sobre a Agência Riff
imagem

Inaugurada em 1991, a Riff representa grandes nomes da literatura brasileira e as principais editoras e agências literárias estrangeiras no Brasil e em Portugal. Saiba mais.




2011 Agência Riff todos os direitos reservados - agenciariff@agenciariff.com.br Guilhotina Design