quinta-feira 13 de dezembro



21 DE JANEIRO DE 2008 VOLTAR PARA LISTA DE ENTREVISTAS

Tatiana, Clarice e Isabel falcão - Assombrosas descobertas

 

 
 
Da esquerda para a direita: Tatiana, Clarice e Isabel, filhas da nossa autora Adriana Falcão
 
 
Márcio Vassallo
 
 
A partir desta edição, abrimos espaço para entrevistas com filhos dos nossos queridos autores, que estejam fazendo bonitezas por aí. Para começar, vou entrevistar a Clarice e a Tatiana, filhas da minha amiga Adriana Falcão. Adriana também é mãe da Isabel, que tem 15 anos. A entrevista vai ser na casa da Adriana e do diretor de cinema e teatro João Falcão, no Leblon. Saio de Copacabana, de bicicleta, mas vou pedalando devagar, para não chegar suado. Não posso chegar suado, mas não resisto de ir pedalando, estaciono perto do prédio e encontro a Adriana chegando. Ou será que a Adriana é que me encontra parando? Na dúvida, paramos num abraço, subimos juntos, e ela me diz que as meninas estão me esperando. O que será que as meninas estão esperando desta entrevista, se é que estão esperando alguma coisa?
 
Sentado numa poltrona, espero por elas. Adriana precisa trabalhar, mas as suas filhas já vão chegar, elas já vão chegar. Mais rápido que muito logo, a Tatiana chega da rua, acompanhada de duas amigas e de um sorriso todo brilhoso. Tatiana Maciel tem 28 anos, é roteirista, produtora de teatro e cinema, e lançou recentemente O homem dos sonhos, pela editora Agir, um romance cheio de vielas, para o leitor entrar, se olhar e se espalhar de tão bom. Tatiana me cumprimenta e me diz que a Clarice já vai descer, ela já vai descer do andar de cima do apartamento. Passo o olho na minha pauta, só para deixar a Tatiana conversar um pouco com as amigas. Revejo lá que, entre outros trabalhos, ela foi co-roteirista dos filmes A dona da história e Fica comigo esta noite. Também foi produtora do filme A máquina, baseado no romance da Adriana Falcão e escreveu com a Adriana a peça O mundo dos esquecidos.
 
Será que esses passos na escada são da Clarice? É, são sim. Ela desce, sem sapatos, de meias mostradas, e vai correndo até a cozinha pegar um copo d´água que eu pedi. O calor está demais, você salvou a minha vida, Clarice, obrigado. Ela ri, de sobrancelha e tudo, e senta para a gente começar. Clarice Falcão tem 18 anos, é atriz, estudante do terceiro período de cinema, cantora e compositora, e acaba de conquistar o concurso internacional de curtas-metragens promovido pelo YouTube (www.youtube.com), o portal de vídeos mais visitado da Internet. No filme vencedor, Laços (já apresentado, recentemente, no Festival Sundance, nos Estados Unidos), Clarice interpreta uma menina que está vindo do enterro do pai e encontra no caminho um garoto esquisito e perguntador. Bem, a idéia do filme foi da própria Clarice e do colega de faculdade Célio Porto, que interpreta o menino. Ah, o roteiro é da Adriana, com direção da Flávia Lacerda. E a bela música da história também foi composta e é cantada pela Clarice, que tem uma voz derretida de bonita e um olho cheio de fundura, quando interpreta, quando responde uma pergunta, quando escuta, quando repara.
 
Tatiana, que também é uma profunda reparadora, pensa com uma largueza autêntica e escreve com um talento raro. Ela está estreando na literatura, mas já é apaixonada pela palavra há um bocado de tempo. É, já são cinco da tarde, o tempo passou voado. Saio da casa da Adriana sem me despedir da minha amiga. Não vou chamar por ela agora, para não interromper nenhum parágrafo. Volto pedalando, sem interromper a cena. O meu encontro com a Clarice e a Tatiana durou só uma hora, mas deu poesia no meu dia todo.
 
O que importa é que foi o momento certo para você, Tatiana, concorda?
Tatiana - É, foi o momento certo para mim, foi isso mesmo.
 
E você, Clarice, como é que você sente que é o seu momento certo para fazer um trabalho?
Clarice Falcão – Eu não costumo planejar esse momento... Gosto mais de criar sem muito planejamento. Não gosto de pensar: “Vamos ter uma idéia para trabalhar”. Prefiro trabalhar depois que a idéia já nasceu. A não ser quando surge uma inspiração, ou uma motivação, como a do concurso do You Tube. Quando o Célio e eu vimos esse concurso, tivemos vontade de fazer o curta. Mas a gente não se obrigou a fazer o filme por causa do concurso. Foi o concurso que nos deu vontade de fazer o filme.
 
A sua inspiração vem mais das vontades que das oportunidades?
Clarice - Acho que sim, se eu me obrigo a criar acabo não terminando as coisas.
 
Tatiana, o seu desprotagonista, como você mesma se refere a ele, é um figurante de sonhos, chamado pelo inconsciente das pessoas. “Às vezes, ao menos, os sonhadores o convocam na imaginação a tempo de presenciar brados comemorativos, ou restos de monstros ao pé de espadas enlameadas de sangue escuro, ou ainda comentários adolescentes sobre o beijo há pouco roubado. Às vezes, no entanto, ele passa tão ao longe que não vê nem isso”. Depois do sonho que teve, durante a viagem, você convocou o homem dos sonhos ou será que foi ele que te convocou, no meio da multidão?
Tatiana - Foi ele que me convocou, no meio daquela multidão de pessoas tão sem rosto...
 
Os seus sonhos quase sempre tiveram esse bocado de pessoas sem rosto?
Tatiana - Acho que eles têm, sim, mas eu nunca tinha reparado...
 
Ou será que elas é que ainda não tinham reparado em você?
Tatiana - Exatamente.
 
Tatiana, também no prólogo do romance, você nos conta que o seu personagem vive esgueirando-se por histórias alheias, sem ambições maiores. Tem muita gente que realmente passa o tempo todo vivendo como figurante dos sonhos dos outros. Mais do que tudo, o que vocês acham que leva uma pessoa a se esgueirar pelas histórias alheias, sem viver a sua própria história?
Clarice – Para mim, uma pessoa não vive a sua própria história porque tem medo de assumir essa responsabilidade.
Tatiana – É um bom pensamento... Acho que uma pessoa não consegue viver a sua própria história por causa do medo, por causa do vazio, e por não saber lidar com esses sentimentos direito. Cada um lida com os sentimentos de uma forma, não é?
 
É, sim, me lembrei agora que, em determinado momento do romance, mesmo sem saber lidar com os próprios sentimentos, o seu desprotagonista se cansa do vazio de ser figurante dos sonhos alheios e começa a ficar bem incomodado com aquela situação...
Tatiana - Sim, tem uma hora em que ele começa a achar muito chato não dormir, não sonhar, não ser o protagonista da sua própria história.
 
Para cumprir uma função num dos sonhos de alguém, e esvaziar determinada cena no inconsciente de um sonhador, o seu personagem, conhecido como F#23107, “arrasta as poucas pessoas e os vários cachorros para dentro do espelho. Sabe que às vezes alguns sonhos precisam de solidão”. Que sonhos vocês acham que mais precisam da solidão?
Tatiana - Os sonhos da criação precisam muito da solidão. Escrever um livro, escrever para cinema, exige solidão, mas acho que para a Clarice é diferente... Interpretar é uma arte que é mais sonhada junto, não é?
Clarice – Sim, eu preciso sempre de alguém para dividir a minha criação, eu preciso sempre de uma orelha por perto, no mínimo...
 
Se tiver duas, melhor ainda?
Clarice – Ah, melhor, tendo duas é bem melhor... No momento da criação, quando estou compondo um personagem que eu vou interpretar, preciso mesmo de alguém que me ouça, que tenha um excelente senso crítico, que me diga se o trabalho está ficando realmente bom.
Tatiana – Também preciso sempre de alguém que me diga se o meu trabalho está ficando bom, mas no momento da criação eu tenho que estar sozinha. A literatura, em geral, é um exercício mais solitário, mesmo que você crie amigos imaginários para te ajudar.
Clarice – Bem, quando eu componho uma música, também tenho que ficar sozinha, é diferente de compor uma personagem para o cinema, por exemplo.
 
Clarice, com a vitória no concurso internacional do You Tube (pelo curta Laços), o seu dia-a-dia ganhou um novo movimento, novos personagens, um novo enredo, com entrevistas, fotos, convites para trabalhos. Você já disse que se assustou com tanta repercussão e que não esperava por tudo isso. Acima de tudo, o que você realmente busca quando interpreta uma personagem?
Clarice - Olha, quando interpreto, acho que eu busco sempre viver alguma coisa que eu não sou na vida real. O Laços foi o primeiro filme que me deu um retorno tão grande assim. Já tinha feito outros curtas, e cerca de cinco mil pessoas chegaram a ver cada um desses filmes. Eu adorei esse resultado, mas o Laços realmente superou as minhas expectativas. Até hoje já foram mais de 700 mil acessos, isso é uma loucura.
 
E você, Tatiana, o que mais busca no seu trabalho?
Tatiana – Na arte a gente sempre busca a beleza. Não busco a beleza que os outros vão admirar, mas tento tirar de mim mesma coisas que eu ache bonitas e interessantes. Criar não é necessariamente mostrar. É óbvio que eu fico feliz quando algum trabalho meu faz sucesso com os outros, mas essa não é a minha busca.
 
O sucesso com o público é uma conseqüência de você ter tirado de si mesma coisas bonitas e interessantes?
Tatiana - É por aí, sim. O sucesso com o público é uma conseqüência, ou não.
 
Clarice, por falar em beleza, eu achei muito linda a sua Australia, música que você compôs e cantou em Laços. Cantar é um exercício da atriz, ou uma vocação irresistível? Para onde será que a tua voz mais vai te puxar?
Clarice – Que bom que você gostou da música... Eu gosto muito de atuar, acho ótimo, mas, pelo menos no momento, eu tenho composto e interpretado mais canções do que personagens. A música tem me puxado muito. Compor e cantar tem me encantado demais. Planejo fazer mais aulas de canto e também aprender a tocar algum instrumento direito. Toco violão, mas ainda toco mal, só o suficiente para eu compor. No Laços, quem toca é o Rico Viana, que faz toda a trilha do filme.
 
No curta Laços, você interpreta uma menina que está vindo do enterro do pai, correndo com uma flor na mão. Antes dessa participação, no filme Fica comigo esta noite (que tem direção do João Falcão e roteiro dele, da Adriana e da Tatiana) você faz uma personagem recém-chegada ao outro lado do mundo, que acaba se tornando um anjo da guarda com carteira assinada. Aliás, é o anjo da guarda mais charmoso que eu já vi, meio desorientado, de chapéu, cabelo chanel e mala de viagem. Para onde os seus personagens mais te levam, Clarice?
Clarice - Acho que as pessoas me acham meio estranha. Talvez por isso eu acabe interpretando personagens esquisitas, que passem essa estranheza para o público...
 
Mas a verdade é que vocês duas têm uma queda deliciosa pela estranheza, não acham? Para vocês, que tipo de estranheza é mais sedutora, mais deslumbrante, mais perturbadora, mais tiradora de sono?
Tatiana – Acho que você tem muita razão, Márcio. Nós duas temos uma queda muito grande pelo lúdico, pelo misterioso, pelo estranho...
Clarice – Nós temos uma queda pelo impossível.
 
Eu acho que o impossível também tem uma queda por vocês, Clarice...
Clarice - É, quem sabe, não é?
Tatiana – É, sim, de uma forma ou de outra, nós gostamos de circular pelo impossível, pelo improvável...
Clarice – E pelo que o impossível tem de mais bonito também.
 
O que o impossível tem de mais bonito, Clarice?
Clarice – Na vida real não dá para a gente criar um diálogo perfeito, uma cena irretocável... Nós não sabemos nunca o que o outro vai responder, depois que dizemos uma frase, não é? Se eu tiver que pensar na melhor frase possível, para falar com alguém, numa conversa, e esperar dessa pessoa também uma resposta perfeita, como num roteiro, a vida ficaria muito chata e sem graça, você não acha?
 
Eu acho, sim, Clarice, na vida, as cenas bonitas são retocáveis... Mas, de volta à fantasia (se é que nós tínhamos saído dela), Tatiana, eu não perguntei para onde o encantamento te leva?
Tatiana – Não sei para onde ele me leva, porque o encantamento sempre anda comigo. O sentimento de fantasia está muito presente na minha vida, em tudo o que eu gosto, em tudo o que eu escrevo, em tudo o que eu vejo.
 
Desde antes de bem cedo, a fantasia, o encantamento e a arte já faziam parte do cotidiano de vocês, principalmente por conta da convivência diária com a Adriana e o João (Falcão). A Adriana escrevendo roteiros e livros e o João também escrevendo roteiros e peças, compondo, dirigindo filmes e espetáculos. Mas é claro que vocês poderiam ter crescido neste meio, conhecer um bocado de gente, amar a literatura, o cinema, o teatro e tudo mais, mas não ter vontade, vocação, ou talento para atuar. Em que momento vocês acham que uma pessoa descobre que deseja criar, e sente que é capaz de voar por conta própria, como vocês já estão fazendo?
 
Tatiana – Criar faz parte da existência humana em algum nível. Aos sete anos de idade, eu tinha escrito uns cinqüenta poemas. Todas as crianças, de algum modo, estão sempre criando, inventando alguma forma de se expressar. É claro que, com o tempo, alguns vão demonstrando mais cultura e mais talento do que outros e sabem melhor o que fazer com isso. Eu não trabalho só com arte. Preciso fazer outras coisas para viver. Mas poder trabalhar com arte é um luxo. E é muito bom ter pessoas em volta que possam nos ajudar e nos dar mais possibilidades de conviver com a arte e ter oportunidade de criar também, se for o caso.
Clarice – Acho que é exatamente isso. Nada impede que um cozinheiro possa ser extremamente criativo ou que um publicitário possa fazer poesia. As pessoas sempre podem decidir fazer coisas novas nas suas vidas.
Tatiana – A nossa outra irmã, a Isabel, tem quinze anos...
 
Ela faz trapézio, não é?
Tatiana - Faz, nós três, em algum momento, já fizemos circo. E a Isabel agora tem tirando fotos e está na fase de escolher o que vai fazer na faculdade. Então, eu sempre digo a ela: "Bel, lembre que você pode ser médica, pode ser atleta, pode ser açougueira, você pode ser o que quiser, e pode tirar fotos, pode desenhar, pode escrever, pode trabalhar com arte também, se desejar”. Digo para a Isabel que ela não precisa achar que tem que trabalhar com arte, só porque aqui em casa todo mundo trabalha com teatro, cinema, música e literatura. E, se quiser, você pode escrever um livro e trabalhar num banco, ou pintar um quadro e ser bioquímica.
 
 
No trabalho, ou no dia-a-dia, num set de filmagem, na frente de um texto, ou num relacionamento, acima de tudo, o que costuma dar asa para vocês se assombrarem com a beleza?
Clarice - Acho que tudo me dá asa, a vida me dá asa...
Tatiana - Concordo com a Clarice, e acho que nós precisamos sempre achar espaço para dar asa à fantasia e à beleza na vida de todo o dia.
 
 
Mas quem voa também carece aterrissar, até para poder voar de novo. Para vocês, qual o grande prazer de voar, qual o grande prazer de aterrissar?
Clarice - Olha, eu não aterrisso muito, não. Na verdade, eu sou muito lesada... Só aterrisso no grito. Se não me gritam, eu continuo voando.
Tatiana - É, eu tenho mais carga de vida real, até pela idade, claro. Não tem como a gente não aterrissar, quando chega a conta de luz para você pagar. A idade traz cada vez mais a necessidade de a gente aterrissar...
 
 
Mas, justamente por causa dessa necessidade de aterrissar, o passar do tempo também nos traz cada vez mais a necessidade de decolar, de voar, de flutuar, você não acha?
Tatiana - Acho, sim, é amadurecendo que nós podemos fazer vôos cada vez maiores.
 
 
Para fazer vôos cada vez maiores, quem cria precisa descobrir, todos os dias, a beleza das coisas mais simples do mundo. O que vocês acham que há de mais bonito e assombroso na simplicidade?
Clarice - É só a gente parar dois minutos e reparar bem, para ver que tudo é assombroso... O simples, o complicado, um silêncio, uma palavra, um pedaço de chão, as coisas mais miúdas...
 
 
As coisas mais miúdas e nem sempre perceptíveis...
Tatiana - Exatamente. Fazer as pessoas prestarem a atenção na guerra do Iraque é fácil, porque a guerra é tão obviamente aterrorizante que chama a atenção por si só. Para mim, o difícil é fazer as pessoas se aterrorizarem, se encantarem, se sensibilizarem com coisas pequenas do dia-a-dia.
 
 
O que mais dá assombro no seu olho, Tatiana?
Tatiana - Ah, tem tanta coisa. Todo o dia eu me encanto com cada livro que eu leio, com cada história que eu escuto, com cada coisa que eu vejo, cruzando com alguém na rua...
 
 
E você, o que mais dá assombro no seu olho, Clarice?
Clarice - As pessoas dão muito assombro no meu olho.
 


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